08 Jun Suplementação pós-biótica com INGUBAL Equine em cavalos com piroplasmose
Suplementação pós-biótica com INGUBAL Equine em cavalos com piroplasmose

INTRODUÇÃO
A piroplasmose equina é uma doença parasitária causada pelos protozoários Theileria equi e Babesia caballi e transmitida por várias espécies de carraças dos géneros Dermacentor, Hyalomma e Rhipicephalus. É uma das doenças mais comuns nos cavalos e pode afetar todos os equídeos, causando importantes perdas económicas no sector, uma vez que é a principal causa de restrição do transporte de equídeos a nível internacional.
A piroplasmose equina pode apresentar-se nas formas hiperaguda, aguda ou crónica e os sinais clínicos são frequentemente inespecíficos, pelo que a doença pode ser facilmente confundida com outras doenças. Em áreas endémicas, muitos cavalos são infectados quando jovens e permanecem portadores assintomáticos, actuando como fontes de infeção para as carraças, que actuam como vectores da doença.
A resposta imunitária dos cavalos à infeção por piroplasmose é complexa e multifatorial. Os animais infectados permanecem portadores, em muitos casos assintomáticos, pelo que a interação entre o parasita e o sistema imunitário do hospedeiro é constante. Em alguns casos, os portadores sob stress, doenças imunossupressoras ou medicamentos podem multiplicar o parasita no sangue e manifestar sinais clínicos em algum momento das suas vidas.
Por conseguinte, propõe-se a utilização de suplementos imunomoduladores, como os pós-bióticos, para o controlo da piroplasmose equina. Os pós-bióticos são compostos bioactivos gerados a partir da fermentação de bactérias benéficas, bem como componentes da parede celular libertados após a lise bacteriana, que podem ter um efeito benéfico na saúde do hospedeiro devido às suas propriedades antimicrobianas, anti-inflamatórias e imunomoduladoras.
O objetivo da experiência foi avaliar a evolução da piroplasmose em cavalos após a suplementação com INGUBAL Equine durante um período de 4 meses.
MÉTODO
A experiência foi realizada com 10 cavalos pertencentes a uma quinta localizada na província de Cáceres. Os cavalos tinham idades compreendidas entre os 2 e os 8 anos e foram divididos em dois grupos.
- O grupo de controlo recebeu a sua ração normal (aveia moída) sem suplemento, com as mesmas diretrizes que recebem habitualmente.
- O grupo suplementado seguiu o mesmo padrão de alimentação, mas suplementado com INGUBAL Equine a 12,5 g por dia durante 120 dias.
Os animais foram amostrados antes e depois da suplementação. A primeira amostragem é considerada para o diagnóstico inicial e o planeamento da experiência, enquanto a segunda é utilizada para monitorizar a evolução de determinados parâmetros que serão descritos mais adiante.
Foram colhidas amostras de sangue total e de soro em tubos com e sem anticoagulante. A amostra de soro foi utilizada para um perfil bioquímico completo e as amostras com anticoagulante foram utilizadas para hemogramas. A microscopia de esfregaço de sangue foi utilizada para determinar os parasitas do sangue. Para a confirmação do diagnóstico de parasitas sanguíneos, procedeu-se à extração de ADN e à deteção por PCR genérico de espécies dos géneros Babesia spp. e Theileria spp. e à identificação da espécie causadora da piroplasmose por PCR específico e sequenciação. Finalmente, a deteção da resposta imunitária foi efectuada por ensaio imunoenzimático competitivo (C-ELISA). Além disso, todos os animais foram controlados diariamente a fim de identificar possíveis sinais clínicos de doença.

Imagem 1. Recolha de amostras. Fonte própria.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Parâmetros de saúde
Os animais testados não apresentaram sinais clínicos em nenhum momento do estudo. Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas nas análises efectuadas entre os dois grupos, quer antes quer depois da toma do suplemento. Estes resultados sugerem que a suplementação administrada é segura, uma vez que não se observaram alterações nas análises efectuadas, nem sinais clínicos de doença.
Evolução da piroplasmose
Os resultados obtidos no estudo da piroplasmose são apresentados no quadro 1. No início da experiência (amostra pré-suplementação) a percentagem de animais positivos para parasitas hemáticos era a mesma em ambos os grupos (60%). Após a suplementação com INGUBAL Equine a redução de parasitas foi de 100% no grupo suplementado, mantendo-se estável no grupo de controlo que não recebeu suplementação. O parasita mais comum nesta população é a Theileria equi.

Imagem 2. Microscopia compatível com piroplasmose. Alta carga parasitária (esquerda) e baixa carga parasitária (direita). Fonte própria.
Estes resultados da evolução da piroplasmose indicam que a suplementação com INGUBAL Equine poderia ajudar a controlar a infeção por estes parasitas sanguíneos, já que foi possível eliminar o parasita da circulação periférica em todos os animais tratados. Isto é muito importante para o controlo da doença em zonas endémicas, onde existe uma elevada percentagem de animais portadores assintomáticos que podem atuar como reservatórios do parasita e fontes de infeção para as carraças.
Relativamente à deteção da resposta imunitária, todos os animais que foram positivos por C-ELISA mantiveram-se positivos até ao final da experiência, pelo que seria aconselhável continuar com a administração do suplemento e monitorizar os animais até se verificar o desaparecimento dos anticorpos sanguíneos.

Quadro 1. Evolução da piroplasmose
Estes resultados são comparáveis a outros estudos em populações animais positivas para piroplasmose, em que o parasita é eliminado no sangue periférico pela administração de dipropionato de imidocarb, mas não os anticorpos, que podem persistir até 12 meses após a infeção.
CONCLUSÕES
A suplementação com elementos que modulam a microbiota intestinal e o sistema imunitário, como o INGUBAL Equine, demonstrou ser útil para desenvolver uma resposta imunitária rápida e eficaz nos animais em que são administrados. A suplementação com o pós-biótico INGUBAL Equine é capaz de eliminar a piroplasmose do sangue periférico, possivelmente devido ao desenvolvimento de mecanismos imunomoduladores nos cavalos.
A suplementação reduz o número de animais portadores persistentemente infectados, que na maioria dos casos são assintomáticos, e que são reservatórios de infeção para as carraças, assegurando a propagação a outros animais. Para conseguir uma redução dos anticorpos no sangue, os cavalos positivos devem ser monitorizados durante um período de tempo mais longo.
REFERÊNCIAS
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Este estudo foi realizado pela INGULADOS em colaboração com a AVEGALI. Publica-o na revista Extremadura PRE, n.º 35 – Abr 2020, pp. 18 – 25 Este trabalho foi apresentado no XX Congresso Internacional de Medicina e Cirurgia Equina (SICAB), realizado em Sevilha em novembro de 2019, e ganhou o prémio de Melhor Poster Experimental.